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Giovani Drosda Lima
Cultura · IA

A Teoria da Internet Morta e o viés do sobrevivente

Robô feminino de metal cromado, de perfil, numa sala branca com luzes fluorescentes no teto.
Fotografia de 烧不酥在上海 老的, no Unsplash

Há textos feitos por IA que são absurdamente fáceis de identificar. Expressões como «X não é apenas Y — é Z», somadas a outros sinais, convencem o leitor mais atento de que aquela sequência de palavras não saiu de dedos de carne e osso num teclado.

Esta capacidade humana de reconhecer o estilo de escrita de um sistema linguístico avançado leva-nos a duvidar de que um LLM possa realmente substituir um redator. A língua é muito mais do que morfemas e sintagmas. É subjetiva e estranhamente complexa, porque se liga diretamente a sentimentos, sensações, memórias incertas e paixões que uma máquina ainda não consegue simular.

Ou, pelo menos, é isso que pensamos.

Há IA capaz de produzir vídeos tão realistas que enganam a esmagadora maioria dos internautas. Não custa imaginar que os textos estejam no mesmo patamar. O autor deste artigo, por exemplo, acha que nunca vai conseguir convencê-lo, leitor, de que este texto foi escrito «à moda antiga». Mas espera que confie nele. Porque foi.

Como se não bastasse, falta falar de outro facto: e os modelos de IA que ainda não foram lançados ao público?

Há modelos que podem ser treinados e aperfeiçoados em segredo por organizações privadas ou mesmo governamentais. Várias tecnologias funcionam, de facto, dessa forma. Estamos perante uma tecnologia capaz de manipular a realidade com conteúdos digitais falsos extremamente bem feitos, cada vez mais difíceis de distinguir do que é real.

Hoje já é possível descarregar para o telemóvel uma IA que transforma qualquer fotografia num vídeo, à medida do que o utilizador pedir. O resultado não é perfeito, claro, mas por vezes é bom o suficiente para convencer alguém de que aquilo aconteceu. E tudo isto de graça.

Em suma, talvez a Internet Morta não seja algo a nascer, mas algo que já cresceu e se desenvolveu ao ponto de não conseguirmos distinguir o que está vivo do que é resultado de cálculos frios numa pastilha de silício.

Fora do Jornal, o meu trabalho são integrações e automações entre CRM, ERP e plataformas de gestão, para empresas em Guimarães, Braga e no resto do país. Veja os trabalhos anteriores ou fale comigo.