Conciliação entre o relatório da câmara municipal e o cadastro da mediadora
Ferramenta de linha de comandos que confronta o PDF de parcelas de imposto municipal emitido pela câmara com a folha de cálculo do cadastro interno, e devolve um livro de resultados com as divergências assinaladas por cor.
O problema
A câmara municipal de Curitiba envia periodicamente um PDF com as indicações fiscais cujas parcelas de imposto foram enviadas ao convénio, com data de vencimento. A indicação fiscal é o número que identifica um imóvel no cadastro municipal.
A mediadora tem o seu próprio cadastro, exportado em folha de cálculo, com a referência interna do imóvel, a indicação fiscal correspondente, quem é responsável pelo pagamento, se esse valor deve ou não ser cobrado ao inquilino, o valor total, o número de parcelas e a fração aplicável.
Confrontar os dois é obrigatório e ninguém quer fazê-lo. São centenas de linhas por período, os números de indicação fiscal têm catorze dígitos com pontuação, e as consequências de falhar são concretas: uma parcela que a câmara cobra e não está no cadastro fica sem quem a pague, e um imóvel em que a mediadora consta como responsável mas não está marcado para cobrar ao inquilino é dinheiro que sai e não volta.
Como se usa
Não tem interface. Cria-se uma pasta ao lado do executável, põem-se lá dentro o PDF da câmara e a folha de cálculo do cadastro, e corre-se. A ferramenta processa todas as pastas que ainda não tenham um ficheiro de resultados, o que permite deixar vários períodos em fila e ir buscar tudo de uma vez.
A saída é uma folha de cálculo nova, ao lado dos ficheiros de origem, com cinco páginas: uma visão agregada por indicação fiscal, o detalhe registo a registo com os totais somados de cada lado, as duas versões restritas aos registos que aparecem no PDF, e uma página só para o que existe no PDF e não tem correspondência no cadastro.
A leitura por cor
Quem confere isto trabalha em Excel, não numa aplicação. Por isso o resultado fala a linguagem do Excel: a cor da linha diz o que é preciso olhar, e a coluna de observações diz porquê. Nenhuma cor aparece sozinha, cada uma tem sempre o texto ao lado.
A decisão que interessou
A tentação era construir uma aplicação com interface. Teria demorado semanas e ninguém a teria aberto mais do que uma vez por trimestre, que é a frequência com que este trabalho aparece.
O que fiz foi respeitar o fluxo que já existia. A equipa recebe ficheiros, mete-os numa pasta, e recebe outro ficheiro de volta, no formato em que já sabe trabalhar. A ferramenta ficou pronta em dois dias e não precisa de formação nenhuma para ser usada.
A contrapartida honesta é que uma ferramenta sem interface envelhece mal se o formato do PDF da câmara mudar, porque não há ninguém a olhar para ela entre utilizações. É uma troca aceitável para um processo trimestral, e não seria para um processo diário.